Por que as mulheres transam de primeira?

casal bike

Depois de dois anos de relacionamento e de ter descoberto que meu ex fazia frila na hora do almoço com a colega de trabalho, passei um mês encolhida embaixo da cama, esperando que a morte chegasse logo e me livrasse daquela dor. Traição é uma paulada na autoestima. E na libido, eu me sentia como uma samambaia no canto da sala.

Eu quase me culpava por ter levado um chifre. A dor vira uma loucurinha momentânea e a gente se questiona. Quem sabe se eu transasse duas vezes por dia, se eu tivesse usado mais aquele creme anticelulite, se eu praticasse pompoarismo?

A resposta é: quem sabe se eu não tivesse me relacionado com um cara que não consegue controlar o pinto dentro das calças? Mas na hora a gente tem certeza que a culpa é nossa porque nossa autoestima está arrasada, varrida para baixo do tapete.

É o tipo de ferida que só cura com o mesmo remédio: sexo. E transar com alguém que não tenha vínculo é o que tem melhor na prateleira porque tudo o que importa naquele momento é voltar a sentir-se a deusa do sexo. Mentira, só queria deixar de me sentir uma samambaia.

Meio dramático, eu sei. As mulheres estão mais bem resolvidas, mas chifre é coisa difícil de lidar. Então, se uma garota que você conheceu ontem no Tinder, topar a cama de primeira, você pode ser a última razão de ela estar transando com você. Eu quero provar pra mim mesmo que sou gostosa e que alguém ainda quer me comer. E você estava no lugar certo e na hora certa.

Autoestima é a resposta do por que muitas mulheres estão cada vez mais fazendo sexo sem compromisso e no primeiro encontro. A gente não está mais procurando aprovação masculina e nem amor como recompensa depois de uma trepada. Transar é bom, para você e para mim.

Mas esse desprendimento ganha força em algumas situações. Uma amiga conta que andava infeliz com ela mesma, sem tempo para atividade física ou para se cuidar. Bastou entrar nos eixos e ver as calças apertadas frouxas para a libido começar a sair pelo nariz. A gente pode até dizer que não se importa com a opinião do outro – o que é mentira, mas certamente se incomoda com o que não gosta na própria imagem. Quando viramos o jogo, o tesão é imediato e a gente quer extravasar. E você pode estar  no lugar certo, na hora certa.

Quebrar tabus também é uma explicação. Transar com um desconhecido ainda é um problemão para algumas mulheres. Durante muito tempo a maioria seguiu um protocolo de encontro. Jantarzinho, cinema, barzinho, piquenique no parque e só, então, sexo. Transar na primeira noite, com alguém que a gente mal conhece é quase como perder a virgindade de novo. A gente não faz ideia do que vai encontrar.

Só fiz isso depois dos 30 anos. Por insegurança, por medo, por simplesmente não saber como seria. Foi libertador. Me senti feliz em pegar minha bolsinha e ir embora sem trocar o telefone. E foi de caso pensado. Eu já queria aquilo fazia muito tempo. Muitas mulheres estão cada vez mais dispostas a ter esse tipo de experiência. Sorte sua se estiver no lugar certo, na hora certa.

Esses tabus acabam virando uma fantasia. Não conheço mulheres que saem de casa pensando “hoje vou transar”, mas as chances de acontecer em alguns momentos específicos são maiores. Uma amiga, que comemorava o aniversário, achou por bem celebrar com o pacote completo e acabou a noite na cama com um conhecido. “Não faria isso normalmente, mas estava feliz e foi natural”, me disse.

Viagens são outro momento em que o sexo casual se encaixa perfeitamente. Longe de casa, dos conhecidos, das cobranças e dos julgamentos. Aqui rola uma mistura de romance, sacanagem, magia, que viram um coquetel afrodisíaco difícil de resistir. Você só precisa estar no lugar certo e na hora certa.

Por último, tem mulher que transa de primeira para se vingar de outro. O que não tem nada a ver com ela, nem com você, nem com tesão. Mas acho que desse plano você não quer fazer parte.

 

 

 

Sobre mariliz pereira jorge

Sou jornalista, moro no Rio, mas vivo com um pé – e metade do coração – em São Paulo, onde morei até maio de 2012. Adoro o cheiro do aeroporto, de andar em calçadas desconhecidas, de ouvir línguas que não entendo! De dançar até as pernas cansarem e de dar risada até a barriga doer… Não vivo sem Coltrane, cerveja gelada e sorvete no inverno. Adoro gente. Adoro tentar entender as loucuras da alma. Da minha e dos outros. E gosto de transformar isso em palavras, em frases e histórias. Hoje, sou colunista da Folha de S.Paulo, da revista GQ, roteirista de TV e dona do meu nariz. Todo conteúdo publicado no blog é de minha autoria. Fui editora da Folha de S.Paulo, da TV Globo, das revistas Women’s Health e Men’s Health, repórter de Veja, além de ter contribuído para veículos como O Estado de S.Paulo, revistas Nova, VIP, Viva Saúde entre outros. Dei minhas voltinhas no mundo da publicidade, produzindo conteúdo para Brastemp, Consul e Itaú.
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