Dizer que já comeu é fácil, quero ver poder dizer que já fez gozar

sex, sleep  together

Eu sei que era muito mais fácil quando você convidava pra sair, você ligava no dia seguinte, você tirava a roupa, você tomava a iniciativa de fazer sexo oral, você decidia se queria dormir de conchinha ou capotar sem dar boa noite. Tudo dependia de você.

Sempre foi assim com todas as mulheres. Não é mais. Hoje, a mulher é um kinder-ovo. Você nunca sabe que surpresa vai encontrar quando leva uma garota desconhecida para cama.

Bom, já começa a mudar por aí. A mulher moderna, bem resolvida e feminista (sim, se ela vive sob o signo da igualdade, ela é feminista, queira você ou não, admita ela ou não) vai para a cama com quem ela quer, na hora que ela quer e faz só o que tem vontade.

Talvez você se sinta desconfortável ou surpreso com tanta atitude. Mas não é tão complicado, se encarar uma realidade: mulher gosta de sexo tanto quanto homem. Não apenas quando estão namorando, não apenas quando o homem quer, nem sempre com o mesmo, muitas vezes sem amor.

Lembro da cara de derrota de um casinho quando lá pela terceira vez que eu gozava e dizia que preferia dormir sozinha, ele se deu conta que era só sexo e não romance o que eu queria. Como se fosse exclusividade masculina satisfazer desejos sem estreitar laços.

Ficou magoado, quase deu chilique, foi embora e nunca mais apareceu. Pena. Mas ele, assim como você, precisa entender que a relação da mulher com o sexo mudou. É claro que você ainda vai dar de cara com exemplares típicos da dona Baratinha, louca pra casar com o príncipe encantado. Mas com essa, você já deve saber como lidar.

Falo da mulher que chega junto, chama para sair, anda com camisinha na bolsa, não dorme de conchinha sem afeto, sente tesão pelo tesão, liga na hora que quer, se recusa a transar quando não está a fim.

O modelo gostosa-e-burra ganha versão masculina: sarado-sem-conteúdo. Se for só diversão, prefiro um cara sarado, gostoso, disse uma leitora. Barriga tanquinho tem sua utilidade, brinca outra. É simples, do mesmo jeito que você sente tesão pela Paolla Oliveira, a mulherada sobe pelas paredes pelo Rodrigo Lombardi.

E não são apenas as solteiras que estão mudando de atitude. “Muitas vezes transei sem vontade, fiz por fazer. A gente acaba cedendo por “amor’ ou porque enfiam em nossa cabeça que temos que satisfazer nosso marido. Transei por medo que ele fosse procurar na rua o que não tinha em casa. Pois, então, que vá mesmo, se não for para respeitar meu corpo, não faço questão de tê-lo ao meu lado”, disse uma amiga.

Alguns homens reclamam que as mulheres estão agressivas, que perderam o romantismo. Um conhecido contou que depois de uma noite para lá de animada, fez café da manhã, levou na cama, mas a fofa disse que preferia dormir. E ele tomou café da manhã sozinho na sala.

Pode parecer um pouco de egoísmo, e é. Mas cansei de ouvir histórias parecidas do lado de cá. De como os homens só pensam neles. Parece que as mulheres estão fazendo o mesmo. E isso pode ser muito mais saudável para as relações.

Você não precisa mais fingir que vai ligar, que vai namorar, que está apaixonado só porque quer comer uma mulher. Assim como ela não precisa mais bancar a difícil, dizer que nunca fez “isso” ou fingir que gozou. “Dizer que já comeu é fácil, quero ver poder dizer que já me fez gozar”, brincam as moças nos grupos de conversa. Aceita que dói menos.

Sobre mariliz pereira jorge

Sou jornalista, moro no Rio, mas vivo com um pé – e metade do coração – em São Paulo, onde morei até maio de 2012. Adoro o cheiro do aeroporto, de andar em calçadas desconhecidas, de ouvir línguas que não entendo! De dançar até as pernas cansarem e de dar risada até a barriga doer… Não vivo sem Coltrane, cerveja gelada e sorvete no inverno. Adoro gente. Adoro tentar entender as loucuras da alma. Da minha e dos outros. E gosto de transformar isso em palavras, em frases e histórias. Hoje, sou colunista da Folha de S.Paulo, da revista GQ, roteirista de TV e dona do meu nariz. Todo conteúdo publicado no blog é de minha autoria. Fui editora da Folha de S.Paulo, da TV Globo, das revistas Women’s Health e Men’s Health, repórter de Veja, além de ter contribuído para veículos como O Estado de S.Paulo, revistas Nova, VIP, Viva Saúde entre outros. Dei minhas voltinhas no mundo da publicidade, produzindo conteúdo para Brastemp, Consul e Itaú.
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2 respostas para Dizer que já comeu é fácil, quero ver poder dizer que já fez gozar

  1. fregodoy disse:

    Independentemente de como tudo se dará no dia seguinte, o importante é que haja carinho e respeito. Vc tem razão, minha querida. Sem razão estão as expectativas criadas em cima de um modelo pra lá de ultrapassado. Contudo, assim como as calças boca-de-sino, prepare-se sempre para o retorno do inesperado….rsrsrs.
    Parabéns pelo texto.

  2. Karina B. disse:

    Adorei!

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