As fantasias que as mulheres não contam

fantasia

Tudo o que eu quero é que ele me pegue, me aperte, me coloque de quatro, me diga o que fazer. Quero que decida tudo. Que mande eu chupar seu pau ou sentar em cima dele. Não quero pensar em nada, ter que decidir nada, eu já faço isso o dia inteiro. Preciso que alguém mande em mim, mesmo que seja na cama.

Lembro o dia em que uma amiga me fez essa confidência. Minha fantasia sexual não tem chicotinhos, algemas ou homens vestidos de marinheiro ou de entregador de pizza. Eu gosto de me sentir submissa. Quero em algum momento do meu dia ser completamente dependente de alguém, nem que seja para gozar.

Ela comanda uma equipe de 15 pessoas, administrava empregada, motorista, dois filhos adolescentes, divide as contas de casa. “Fico excitada brincando de um personagem que não sou no dia a dia. Por isso dei esse poder na cama ao meu marido, mas não é o tipo de coisa que as pessoas que me conhecem poderiam imaginar.”

A verdade é que ninguém imagina que tipo de perversão passa na cabeça das pessoas, menos ainda das mulheres. Os homens podem não perceber que a confusão que muitas sempre fizeram ao misturar sexo com amor nada tem com falta de imaginação.

A gente quer amorzinho, mas queremos uma boa dose de sacanagem também. O que acontece é que nem sempre falamos por pudor. Muitas vezes realizamos essas fantasias com homens que não veremos mais. O repertório é vasto e nem sempre bem recebido dentro de uma relação estável.

Você gostaria de saber que sua namorada tem vontade de se vestir de puta, parar numa esquina e cobrar para fazer sexo? Então, durma com essa. “O cliente seria meu namorado, mas tenho medo de falar e ele não entender. Então, me contento quando ele me chama de vagabunda, vadia. Mas adoraria fazer da forma como imagino”, me disse uma leitora.

Muitas fantasias envolvem namorados e parceiros, mas faz parte do imaginário transar com desconhecidos. E em tempos de aplicativos é um dos desejos mais fáceis de realizar. “Gostaria de entrar num bar e sair dali direto para a cama com um cara que mal conheço, mas, por segurança, acabei fazendo isso pelo celular. Gostei da sensação de transar com alguém que não verei mais, sem nenhuma expectativa romântica, o sexo pelo sexo”, disse uma amiga.

Tudo isso pode soar muito familiar para você. E é mesmo, mas a gente ainda está aprendendo a lidar com desejos e fantasias, que muitas vezes são as mesmas que as masculinas. Transar a três, com outra mulher, é vontade de algumas garotas com quem conversei. Imagino que você gostou de saber disso.

Não para aí. Tem aquelas que gostariam de estar com dois homens ao mesmo tempo, fazendo tudo ao mesmo tempo. “Queria que meu namorado me penetrasse por trás enquanto faço sexo oral em outro homem. Mas acho que ele ficaria furioso só de saber dessa vontade.” Você não ficaria?

E numa geração em que se mandam nudes para cá e para lá, exibicionismo parece ser algo quase banal e necessário. Transar dentro da piscina do hotel, no banheiro de uma festa ou de uma boate, nas escadarias do prédio, com as cortinas escancaradas, pode ser mais velho do que guaraná com rolha, mas continua fazendo sucesso.

Tem gosto para tudo. Tem também mulher que gosta de mandar, usar chicotinho e algemas. Tem as que gostam de misturar comida e sexo. Lembra de 9 ½ Semanas de Amor? Estilo chantilly e doce de leite.

E tem aquelas que gostam até de um sexo romântico, com amorzinho. Isso. A gente acreditou tanto que sexo bom é sexo sujo, que fazer amor, aquela coisa careta e limpinha, com olho no olho, carinho e eu te amo no meio, virou fantasia sexual. E, às vezes, se pega pedindo “me ame mais, me coma menos”. Só para variar. Porque é bom variar.

Sobre mariliz pereira jorge

Sou jornalista, moro no Rio, mas vivo com um pé – e metade do coração – em São Paulo, onde morei até maio de 2012. Adoro o cheiro do aeroporto, de andar em calçadas desconhecidas, de ouvir línguas que não entendo! De dançar até as pernas cansarem e de dar risada até a barriga doer… Não vivo sem Coltrane, cerveja gelada e sorvete no inverno. Adoro gente. Adoro tentar entender as loucuras da alma. Da minha e dos outros. E gosto de transformar isso em palavras, em frases e histórias. Hoje, sou colunista da Folha de S.Paulo, da revista GQ, roteirista de TV e dona do meu nariz. Todo conteúdo publicado no blog é de minha autoria. Fui editora da Folha de S.Paulo, da TV Globo, das revistas Women’s Health e Men’s Health, repórter de Veja, além de ter contribuído para veículos como O Estado de S.Paulo, revistas Nova, VIP, Viva Saúde entre outros. Dei minhas voltinhas no mundo da publicidade, produzindo conteúdo para Brastemp, Consul e Itaú.
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2 respostas para As fantasias que as mulheres não contam

  1. Marilia, parabens pelo belissimo texto. Um texto cheio de verdades…. verdades que ate doem rsrsrsrs. Por mais que tudo esteja evoluindo rapidamente, tabus sendo quebrados, mulheres assumindo novos papeis na sociedade, parece que no fim sempre acabamos no auto padrão que impomos a nos mesmas: ˜bela e recatada˜.
    Mais um vez, parabens!
    beijos

  2. Brbara Reis disse:

    Parabéns!!! Top!! Abraços!

    Bárbara Reis. Skype: barbara.reis27 Instagram: @eubarbarareis “As melhores coisas da vida não são coisas.”

    Date: Sat, 30 Apr 2016 15:20:17 +0000 To: barbara.sul@hotmail.com

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