Mulher-preguiça

Eu vivo aqui dizendo “faça isso, não faça aquilo”. Mas hoje é dia de fazer mea culpa. A gente reclama que os homens têm que caprichar nas preliminares, mas a verdade é que deixamos a desejar tanto quanto vocês.

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Em duas pesquisas distintas encontrei dados parecidos. Em uma delas, 45% das mulheres disseram que não gostam de fazer sexo oral. Em outra, pasme, 43% dos homens disseram se sentir da mesma forma. Bingo.

Me dei conta de que estamos encrencadas, porque o homem tem um repertório muito mais variado na hora de fazer uns agrados nas moças. Você pega no peitinho, lambe o peitinho, pode beijar o corpo todo, brincar com os dedinhos na pepeca e se safar de cair de boca, se não estiver a fim.

Nós não temos essa possibilidade de variação. Preliminares em homem tem um repertório meio monótono. A gente pode dar um banho de gato, mas sabemos que o que deixa um cara nas nuvens é pegar seu pau e enfiar na boca.

Não é novidade para a maioria que muita mulher deita lá como uma princesa e se faz de desentendida. Então, vamos aos fatos. Tem muita mulher que não gosta, pelo mesmo motivo que os homens. A alegação é que não curtem o sabor.

Eu costumo dizer que detestei comida japonesa a primeira vez que comi, hoje eu amo. A gente aprende a gostar. Talvez a garota com quem você está saindo não admita isso, mas o mínimo que você pode fazer é manter seu pinto limpinho e cheiroso.

E se você já percebeu que ela não é lá de tomar a iniciativa, nem pense em gozar na boca sem que ela tenha topado. Vai deixá-la com mais nojinho. Pra quem não está acostumada, esperma tem gosto de água sanitária.

Eu sei, é 2015, mas tem mulher que tem medo ser julgada. Não sem razão, já vi discussões em que homens dizem que acham fácil a garota que faz boquete antes de receber sexo oral. Pois é.

Por essas e outras, muitas ainda acham que qualquer atitude só deve ser tomada como uma forma de “retribuição”. É bobagem, mas quem sou eu para julgar essas noias femininas.

Tem as que reclamam da falta de intimidade, o que só será resolvido se a relação não for casual. Nesse caso, não há muito o que fazer. Claro que vale sugerir que você está a fim. Aquele velho chavão “vem aqui dar um beijinho” é suficiente.

Pensei em não repetir isso aqui, porque a GQ é lida por marmanjo, mas não custa reforçar. Nem pense em forçar a cabeça da moça em direção ao seu pinto. É grosseiro, e não vai fazê-la ficar com vontade.

Uma reclamação que recebi foi que alguns homens usam a boca alheia “para fazer sexo”. Pode ser gostoso, quentinho, molhadinho, mas muitas dizem que a boca fica dolorida se os movimentos são intensos ou se o cara insiste no sexo oral para gozar e demora muito.

E claro, teve gente que confessou preguiça. “Homens endeusam tanto a gente, que acostumamos a não fazer nada.” Olha que arapuca. Você capricha tanto que a moça fica se achando um troféu. Não economize, mas faça com que ela seja parceira e não espectadora.

O que eu pude constatar é que com maturidade e intimidade essas coisas podem ser contornadas. Vergonha, falta de jeito e até preguiça devem ser discutidas numa boa entre gente adulta e bem resolvida. Aqui em casa, a louça é responsabilidade dos dois. Sexo oral também. E se eu dou uma de preguiçosa, ele me chama na chincha. Justo.

Sobre mariliz pereira jorge

Sou jornalista, moro no Rio, mas vivo com um pé – e metade do coração – em São Paulo, onde morei até maio de 2012. Adoro o cheiro do aeroporto, de andar em calçadas desconhecidas, de ouvir línguas que não entendo! De dançar até as pernas cansarem e de dar risada até a barriga doer… Não vivo sem Coltrane, cerveja gelada e sorvete no inverno. Adoro gente. Adoro tentar entender as loucuras da alma. Da minha e dos outros. E gosto de transformar isso em palavras, em frases e histórias. Hoje, sou colunista da Folha de S.Paulo, da revista GQ, roteirista de TV e dona do meu nariz. Todo conteúdo publicado no blog é de minha autoria. Fui editora da Folha de S.Paulo, da TV Globo, das revistas Women’s Health e Men’s Health, repórter de Veja, além de ter contribuído para veículos como O Estado de S.Paulo, revistas Nova, VIP, Viva Saúde entre outros. Dei minhas voltinhas no mundo da publicidade, produzindo conteúdo para Brastemp, Consul e Itaú.
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Uma resposta para Mulher-preguiça

  1. Dailane disse:

    👏🏻👏🏻👏🏻👏🏻👏🏻👏🏻👏🏻. Lacrou. Seus textos são ótimos.

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