Onde vivem as pessoas mais felizes do mundo

  

 Imagine conhecer o país onde vivem as pessoas mais felizes do mundo. Parece uma ótima ideia, certo? Por incrível que pareça é um destino pouco procurado pelos brasileiros. Talvez porque a maioria nem imagine que esse lugar seja a Suíça. O país aparece em primeiro no ranking elaborado pelas Nações Unidas, onde o Brasil figura apenas em 16º.

Para chegar a esse resultado, foram analisados PIB per capita, expectativa de vida, liberdade, generosidade e ausência de corrupção – fator ligado a violência. O que o estudo não mostra, e que você terá um gostinho por meio dessa reportagem é que, além de tudo isso, os suíços vivem em um país realmente surpreendente.

A vocação de lugar certinho, onde tudo funciona como numa engrenagem de relógio – suíço, claro, pode deixar a impressão de que é uma viagem monótona. Montanhas, vacas, chocolate, neve, vacas, mais chocolate e um povo meio sisudo.

  
Sim, você verá montanhas, vacas, chocolate, neve, mas os estereótipos acabam aqui. E tem muito mais. Primeiro que o suíço é simpático genuinamente. Segundo que a paisagem deslumbrante do país muda a menos de uma hora de trem. E se você nunca esteve por esses lados, a sugestão é que comece por uma região menos óbvia do que Zurique ou Genebra. Que tal tentar Lucerna, que fica bem no centro, no coração do país?

  
Lucerna é uma região rodeada de lagos e montanhas. A cidade nem parece ter apenas 80 mil habitantes, tamanha sua diversidade cultural e opções de lazer. Durante o dia dá para ir à montanha, à tarde fazer compras, visitar museus, comer em lugares muito charmosos e à noite assistir algum concerto. A melhor forma de explorá-la é caminhando, pois a maioria das atrações está num raio curto de distância.

  
Prédios históricos decorados com afrescos, ruas fechadas para carros, recheadas de cafés, bares e restaurantes, margeados pelo rio Reuss, que separa a cidade em dois lados bem distintos: o moderno e o antigo. Nem preciso dizer que o antigo é muito mais charmoso e onde você deveria passar a maior parte do tempo, se ele for curto.

   
 Entre um Spritz (drink feito à base de Aperol) e outro, atravesse a ponte da Capela e sua Torre da Água, tida como a mais antiga ponte de madeira coberta da Europa. Nem tanto por ser antiga, mas porque é um charme com sua floreiras coloridas, durante os meses mais quentes.

Outra ponte que vale a travessia é a Spreuer, decorada em todo o seu interior com pinturas que representam a “Dança da Morte”. Continuando o passeio, não deixe de ver o Löwendenkmal, Monumento do Leão Moribundo, esculpido num paredão imenso de rocha, em homenagem a guardas suíços mortos durante a Revolução Francesa.

Hora de uma pausa para uma cerveja suíça, antes de explorar a muralha Musegg, construída em 1938 para proteger a cidade e que se mantém praticamente intacta. Há três torres também preservadas, abertas ao público.

Lucerna tem dois museus imperdíveis, o Rosengart e o KKL. O primeiro tem um acervo fenomenal de artistas como Pablo Picasso, Marc Chagall, Paul Klee, Claude Monet, Joan Miró. Só de Picasso são 40 telas, organizadas de forma cronológica. O KKL é um centro cultural, com arquitetura espetacular e uma sala de concerto considerada uma das melhores do mundo.

  
Chegamos onde todo mundo mais espera: chocolates e relógios. Lindt é a marca mais conhecida e pode ser encontrada em todos os lugares. Se você gosta muito, vale comprar. Mas sugiro uma visita à Laderäch, no centro antigo, e à Max Chocolatier, essa a melhor de todas. Totalmente artesanal, com sabores inusitados, que mudam conforme a estação. Impossível não encher a mala.

E se o seu sonho sempre foi ser o feliz e rico proprietário de um relógio suíço, está no lugar certo. Em uma única rua, ficam as casas mais badaladas da cidade, como a centenária Bucherer, revendedor oficial da marca Rolex, não por acaso a mais comprada entre os três mil visitantes que a loja recebe diariamente.

São doze mil modelos de 26 marcas. Curiosamente o relógio mais caro quando a Folha esteve na loja não era um cobiçado Rolex, mas um Roger Dubuis Excalibur, vendido por 299 mil francos suíços (cerca de R$ 1,2 milhões).

  
No verão, além de passeios pelas ruas da cidade, há várias atividades nos lagos, como passeios de barco, pedalinho, e praias públicas. Não é exatamente a praia como brasileiro está acostumado, mas a água é muito mais linpa e transparente do que estamos acostumados.

Não acabou. A cidade tem cassino, e uma extensa programação de festivais de música. A maioria dos programas feitos durante o dia são atraentes ao público infantil. Há, por exemplo, um museu do transporte fabuloso, que encanta mais as crianças do que os adultos.

Território brasileiro

  

Talvez você não se lembre, porque lá se vão quase 10 anos, mas a Seleção Brasileira de Futebol colocou no mapa uma pequena cidade suíça de quatro mil habitantes. Escolhida para ser a concentração do time às vésperas da Copa do Mundo, da Alemanha, Weggis guarda boas e más recordações da passagem dos jogadores.

  
Em duas semanas, mais de 100 mil pessoas visitaram essa pequena joia às margens do lago de Lucerna para ver a seleção, hospedada no melhor hotel, o Park Weggis. Foi bom para o comércio local, mas a estadia nada comportada dos jogadores, que inclui noitadas numa boate local e escapulidas com garotas de programa, foi apontada como um dos fatores do fracasso da seleção.

  
De volta à normalidade, Weggis merece mais do que esse tipo de lembrança. No mesmo hotel, outro visitante ilustre passou temporadas e acabou sendo homenageado com as duas principais suítes que levam seu nome: Mark Twain. O escritor americano dizia que Weggis era o lugar mais bonito do planeta.

O mais bonito talvez seja exagero, mas certamente está entre eles. A pacata cidade à beira do lago virou um refúgio de bem-estar. Todos os hotéis têm spas, há piscinas públicas e o próprio lago é muito convidativo. Muita gente faz bate-e-volta de Lucerna, num passeio de barco por uma paisagem deslumbrante, mas que quiser descansar, curtir os spas e comer bem, o ideal é passar ao menos dois dias.

Canivetes suíços

Pertinho de Weggis, fica uma outra cidadezinha muito simpática, Brunnen, que vale uma visita porque é lá que fica o Centro de Visitantes da Victorinox, a marca de canivetes mais famosa do mundo. Eles têm uma sala interativa, que mostra a revolução do canivete e consequentemente da marca.

E como numa Disneylândia suíça, você pode comprar todos os produtos por preços bem atrativos. Uma surpresa foi que Victorinox produz não apenas canivetes, mas objetos de cozinha, incluindo excelentes facas. Lembre-se de despachar tudo para não ser barrado na segurança do aeroporto.

Montanhas sem fim

   

 Essa região tem cerca de 20 montanhas, que rodeiam o espetacular lago de Lucerna. Uma delas, ainda perto de Weggis, é a Rigi, uma das mais famosas. Como em vários pontos da Suíça, aqui é excelente para caminhadas e trekkings, alguns apenas para quem está com o fôlego em dia.

  
Mas também é possível chegar ao topo sem esforço nenhum, por meio de trem. Nessa montanha, fica o Mineralbed & SPA, projetado pelo arquiteto suíço Mario Botta. São piscinas gigantes com diferentes tipos de hidromassagem, massagens e saunas. Prepare-se, as saunas são mistas, e na seca só é permitida a entrada sem nenhuma roupa. Os suíços não estão nem aí e andam peladões de lá para cá.

  
Há ainda uma área externa, alcançada pela água, com borda infinita e vista para os Alpes. Se você subiu de trem, desça de bondinho para aproveitar a paisagem de outro ângulo. Mas não dá vontade de ir embora, não.

Neve no verão

  

A cerca de 45 minutos de trem de Lucerna, fica a cidadezinha de Engelberg, onde está localizado o Monte Titlis, a única montanha dos Alpes suíços que tem neve durante todo o ano, inclusive no verão. E o verão da Suíça é muito quente. Isso significa que você poderá estar confortável com uma camiseta na cidade, mas vai precisar de casacos, gorros e luvas para chegar lá em cima.

   
 E essa é a grande jogada de fazer uma viagem durante os meses mais quentes. Você pode aproveitar tudo que tem de legal na região de Lucerna, com seus lagos e spas e ainda dar uma fugidinha para curtir a neve.

  
A subida é feita no primeiro teleférico giratório da Europa e faz toda a diferença, porque quem já foi até ali quer aproveitar tudo. No topo fica a ponte suspensa mais alta do continente e também uma gruta de gelo eterno. Um gelo mesmo. As pistas de esqui e snowboard só abrem no inverno. No verão, não falta diversão com escorregadores e snowtubes. Parece brincadeira de criança, mas tem muito adulto se espatifando na neve.

   
 No verão, há lagos para remar, montanhas para saltar de paraglider ou fazer caminhadas. E claro, você verá vacas por todos os lados e não se surpreenda querendo fazer selfie com uma delas porque elas são muito simpáticas. Simpáticas, mas não necessariamente amistosas. Se você não está acostumado com a vida no campo, convém manter distância.

   
 Não deixe de visitar o mosteiro da cidade, onde fica uma fabrica de queijo. Dá para ver o processo de fabricação e se deliciar com a variedade enorme, vendida no local. Sabe por que o queijo suíço é tão gostoso? Nessa região, as vacas comem flores. Nada mais poético do que vacas que comem flores e produzem leite para fabricar queijos e chocolate.

   
 Só mais uma coisa. Fondue não é necessariamente uma novidade mesmo para o brasileiro que mora nas regiões mais frias. Se você quiser pular essa experiência, sem problema. Mas anote uma dica. Suíços fazem fondue de carne sem aquela fumaceira horrível. O segredo é usar caldo de carne para cozinhar e não fritar a carne. Fica incrível. Boa viagem.

Serviço:

LUCERNA

Hotel Astoria. Diárias a € 264. astoria-luzern.ch

WEGGIS

Welness Hotel Rössli. Diárias a € 205. wellness-roessli.ch

Park Weggis. Diárias a € 508. parkweggis.ch

ENGELBERG

Hotel Waldegg.  Diárias a € 156. waldegg-engelberg

 

 

 

 

 

 

 

Sobre mariliz pereira jorge

Sou jornalista, moro no Rio, mas vivo com um pé – e metade do coração – em São Paulo, onde morei até maio de 2012. Adoro o cheiro do aeroporto, de andar em calçadas desconhecidas, de ouvir línguas que não entendo! De dançar até as pernas cansarem e de dar risada até a barriga doer… Não vivo sem Coltrane, cerveja gelada e sorvete no inverno. Adoro gente. Adoro tentar entender as loucuras da alma. Da minha e dos outros. E gosto de transformar isso em palavras, em frases e histórias. Hoje, sou colunista da Folha de S.Paulo, da revista GQ, roteirista de TV e dona do meu nariz. Todo conteúdo publicado no blog é de minha autoria. Fui editora da Folha de S.Paulo, da TV Globo, das revistas Women’s Health e Men’s Health, repórter de Veja, além de ter contribuído para veículos como O Estado de S.Paulo, revistas Nova, VIP, Viva Saúde entre outros. Dei minhas voltinhas no mundo da publicidade, produzindo conteúdo para Brastemp, Consul e Itaú.
Esse post foi publicado em Viagem e marcado , , , , , , , , . Guardar link permanente.

2 respostas para Onde vivem as pessoas mais felizes do mundo

  1. Tháfini disse:

    Como sempre, texto sensacional! Só aumentou minha vontade de ir para lá!

  2. Adriana disse:

    Acho que preciso dar um pulinho ali… na Suíça!!! Tudo lindoooo!

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s