Não preciso de ninguém, mas gosto de ter alguém

não preciso de homem

“Você não precisa de mim para nada”, disse um ex, tentando justificar por que durante semanas comeu a colega de trabalho na hora do almoço. Tive que concordar. Eu não precisava dele para nada. Eu pagava minhas contas, minha carreira era promissora, tinha uma vida social que não dependia dele, um apartamento descolado.

Não precisava, só queria alguém que me desse amor, ombro amigo, esfregasse seus pés quentinhos nos meus, noites de sexo, manhãs de aconchego, sem que tivesse que dar em troca a minha individualidade, sem que tivesse que parecer frágil ou dependente. Quando ele foi embora, não tive que reconstruir a minha vida, porque eu já tinha uma.

Mas eu adoro homem. Gosto da presença, do papo, do humor, do cheiro, do corpo, do pau. Não preciso de nenhum para preencher os buracos afetivos que colecionamos pela vida. Estar com um é uma escolha, não uma necessidade.

Melhor ainda se é alguém que me paparica. Não me sinto menos dona do meu nariz se um cara me dá flores, se paga o jantar ou se me come de quatro. Isso só quer dizer uma coisa: estou sendo bem tratada, bem mimada e bem comida. Só isso. E adoro.

Aceitar gentilezas não muda o jeito que levo a vida e como me relaciono com os homens. Chorei no dia do meu casamento. Adoro deitar no ombro do meu marido na hora de dormir. Ele faz as compras e eu sou dona da caixa de ferramentas. Ele sabe que não preciso dele, assim como ele não precisa de mim.

Estamos juntos porque nos fazemos felizes, porque temos amor, respeito, carinho, afinidade, tesão. E eu valorizo demais um homem que faz de tudo pra me ver feliz. Valorizo quando ele faz o jantar, quando ele me pede pra ficar mais na cama, quando não me pergunta se vou demorar pra chegar em casa, se estou trabalhando ou no bar com as amigas.

Mulher que não valoriza ser bem tratada, bem mimada e bem comida, não é feminista. É boba.

Sobre mariliz pereira jorge

Sou jornalista, moro no Rio, mas vivo com um pé – e metade do coração – em São Paulo, onde morei até maio de 2012. Adoro o cheiro do aeroporto, de andar em calçadas desconhecidas, de ouvir línguas que não entendo! De dançar até as pernas cansarem e de dar risada até a barriga doer… Não vivo sem Coltrane, cerveja gelada e sorvete no inverno. Adoro gente. Adoro tentar entender as loucuras da alma. Da minha e dos outros. E gosto de transformar isso em palavras, em frases e histórias. Hoje, sou colunista da Folha de S.Paulo, da revista GQ, roteirista de TV e dona do meu nariz. Todo conteúdo publicado no blog é de minha autoria. Fui editora da Folha de S.Paulo, da TV Globo, das revistas Women’s Health e Men’s Health, repórter de Veja, além de ter contribuído para veículos como O Estado de S.Paulo, revistas Nova, VIP, Viva Saúde entre outros. Dei minhas voltinhas no mundo da publicidade, produzindo conteúdo para Brastemp, Consul e Itaú.
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6 respostas para Não preciso de ninguém, mas gosto de ter alguém

  1. Gabriela disse:

    Amo ler teus textos, parabéns!

  2. Isabela Maraschi disse:

    Adoreeeeeeiii!!!!

  3. Luciana Kfouri Siriani disse:

    É isso aí! Saí do Facebook mas estou no mailing do seu blog! UFA! beijo grande

  4. Juraci Pike disse:

    Excelente texto. Certas verdades ditas e escritas soam como um contrato de uma verdadeira vida a dois.

  5. Daniella Oliveira disse:

    Perfeito!!!!!! Adoro seus textos!!!!!

  6. Marcos Costa disse:

    Irmã arrasa!!!!!

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