Dois é bom, três é melhor

GQ março

Para GQ Magazine

Uma amiga acaba de voltar de uma viagem. Ela passou uma temporada em Londres fazendo um curso e aproveitou pra reencontrar uma ex-colega que havia casado e se mudado para a capital inglesa. Apartamento bonito, marido bacana, filho perfeito. Ao final do primeiro encontro, o casal a convidou para acompanhá-los a uma festa. Dias depois, ela descobre que a festinha era uma orgia. Chic, mas orgia.

Transar a três, a quatro, em turma, não acontece só no mundo de sacanagem pagou-levou de Danny Bond, a personagem de Paolla de Oliveira, na minissérie “Feliz Para Sempre”, da TV Globo. E nem é novidade. Mas esses assuntos ganham luz e caem na língua do povo quando tratados na ficção. E como a gente sabe, a arte imita a vida, mais do que o contrário.

Eu sei, quase todos os homens sonham em transar com duas mulheres ao mesmo tempo. E pelo que eu tenho notado, muitas mulheres também. A GQ fez uma pesquisa em 2013 e, confesso, fiquei impressionada com o resultado: 59% das mulheres disseram já ter feito ou ter vontade de fazer sexo a três.

Resolvi investigar com as minhas leitoras e descobri que o mundo está bem menos careta, quer dizer, as mulheres estão muito menos travadas do que poderíamos imaginar. Sinal dos tempos. Sinal de que o tempo em que elas namoravam e casavam com um único homem está cada vez mais no passado.

Se o número de parceiros aumentou, seria natural que a curiosidade por outras experiências abrisse um leque de opções. E transar em grupo é uma delas. O mais significativo nessa mudança é que a decisão não tem a ver com os sutiãs queimados da revolução sexual ou a cocaína dos anos 1980. Ao que parece, hoje quase ninguém transa com dois ou mais apenas para provar algo ao mundo ou só porque está doidão.

Pode ser por curiosidade, por tesão, para sair da rotina, para realizar a vontade do outro. Mas é uma decisão individual. E calma, lá. Não significa que o mundo está virando um bacanal porque ainda tem muita gente monossexual, como eu. Só gosto de homem e um de cada vez. Não sou muito ciumenta, mas teria um treco se visse meu marido de sacanagem com outra mulher bem em minha frente. Ok, sou ciumenta. Tem mais: meu nível de atração por mulher é sub zero. Então, não rola. Amor, desculpa, aí.

Talvez isso seja explícito nas mulheres, porque em toda a minha vida, apenas um namorado propôs que a gente convidasse uma garota desconhecida para uma festinha. Eu disse que toparia, desde que a primeira vez fosse com um homem. Ele quis me matar. Acabou a brincadeira, e eu respirei aliviada.

Alguns, bem poucos homens, têm tara em ver a mulher nos braços e com as pernas em volta de outro. Na minha investigação, todas as mulheres disseram que o cara pulou fora quando a condição era essa. E por falar em condição, há algumas. Como não haveria, somos mulheres, lembra? Complicadas e perfeitinhas.

Não basta a garota querer, tem que ser do jeito dela. E se eu fosse você, faria tudo direitinho para que ela não volte atrás. Entre as casadas (sim, mães de família também topam), o mais importante é que a terceira pessoa seja escolhida por ela e não haja nenhum tipo de relação antes ou depois do sexo. Uma delas disse que a coisa perdeu a graça quando o marido quis repetir figurinha. Ouvi de uma solteira que só vale quando não há envolvimento sentimental com o homem e se a mulher for menos bonita e interessante do que ela. Achei justo.

Tudo fica mais fácil, se você já faz sexo casual com uma garota e tem certeza de que ela não está a fim de algo mais sério. Jogue a isca. Com sorte, você fisga a garota e ela ainda se responsabiliza por encontrar a terceira parte para o ménage.

O risco que todos os envolvidos correm é de role química apenas entre duas pessoas e a terceira fique sobrando. Aborrecimentos da sacanagem. Se for o caso, esqueça o macho faminto que há dentro de você e banque o gentleman que sua mãe o ensinou a ser. Foque nas duas. E assim que o bacanal acabar, marque uma sessão privê com a preferida. Não tem erro. Mulher gosta de se sentir única, mesmo que não seja.

Sobre a minha amiga, aquela que foi para Londres e quase acabou comendo e sendo comida, ela deu pra trás – no bom sentido – mas ficou morrendo de curiosidade. Quem sabe numa próxima.

Sobre mariliz pereira jorge

Sou jornalista, moro no Rio, mas vivo com um pé – e metade do coração – em São Paulo, onde morei até maio de 2012. Adoro o cheiro do aeroporto, de andar em calçadas desconhecidas, de ouvir línguas que não entendo! De dançar até as pernas cansarem e de dar risada até a barriga doer… Não vivo sem Coltrane, cerveja gelada e sorvete no inverno. Adoro gente. Adoro tentar entender as loucuras da alma. Da minha e dos outros. E gosto de transformar isso em palavras, em frases e histórias. Hoje, sou colunista da Folha de S.Paulo, da revista GQ, roteirista de TV e dona do meu nariz. Todo conteúdo publicado no blog é de minha autoria. Fui editora da Folha de S.Paulo, da TV Globo, das revistas Women’s Health e Men’s Health, repórter de Veja, além de ter contribuído para veículos como O Estado de S.Paulo, revistas Nova, VIP, Viva Saúde entre outros. Dei minhas voltinhas no mundo da publicidade, produzindo conteúdo para Brastemp, Consul e Itaú.
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