Por falar em sacanagem…

Para revista GQ

Safada, ordinária, cachorra. Tem mulher que gosta. Vadia, vagabunda, piranha. Tem outras que adoram. Posso escrever até o final do texto adjetivos que só caberiam num dicionário de palavras de baixo calão. Eu, no entanto, não tenho a pretensão de ter o repertório melhor do que ninguém, até porque o que para alguns é bom, para outros é mero amadorismo. Claro que não é novidade que algumas mulheres gostam e que outras detestam quando aflora o lado boca do lixo na hora da transa. Umas mais, outras menos, como tudo que tem a ver com sexo.

GQ dezembro

É um terreno escorregadio. Imagino que você talvez fique com a língua presa, não saiba quando ou como usar a lábia, mas acredite, a sua namorada, mulher, peguete, casinho, deve gostar que você quebre o silêncio de alguma forma, por certas razões. Um filme pornô, uma lingerie sexy, a mulher pelada ali em sua frente – ou só de pensar que vai transar com alguém são suficientes para você. Não para nós.

A gente, você sabe, é beijo na boca, preliminar, aquela trabalheira toda até que esteja pronta pro ‘vem, neném’. Somos muito menos visuais do que os homens. Por isso, se quiser acelerar o processo, entre em ação e diga coisas que mexam com a nossa imaginação e criatividade. É excitante saber o que você pensa e o que planeja fazer. Quando verbaliza todo o desejo, a maioria das mulheres se derrete onde mais interessa.

Aqui, a regra é simples: comece por coisas básicas e inofensivas. Chame de gostosa, diga como ela é linda, que você vai beijá-la inteirinha, que você ficou louco com o bumbum dela. Bingo: ela não apenas ficará com tesão, como você já acaba com metade das ‘noias’ que qualquer mulher tem sobre o corpo e garante o que ela quer saber, se está realmente agradando.

Talvez no começo ela nem diga nada, apenas comece a gemer baixinho. Timidez, nervosismo, pode ser. Mas é o aceno de que você está fazendo certo. E não precisa gemer também, se não for instintivo. Tive vontade de rir quando um namoradinho começou a grunhir pra impressionar, mas era tão falso quanto beijo de galã-gay na mocinha da novela. Homens gemem menos, por machismo, por cultura, por medo de se expor. A gente sabe.

Para ter certeza de onde está pisando, encoraje a garota a falar também. Sintonia é tudo na vida – ainda mais na cama. O jogo de palavras pode fluir naturalmente e ninguém sair ofendido, porque a possibilidade de derrapada é inerente a esse tipo brincadeira. Pode ser que nas primeira vezes ela não se sinta à vontade de ser chamada de safada – e muito menos de vadia. Eu não gostaria. Também não goste que você fale sem parar do seu pinto com palavras que não sejam pinto nem pênis. E muito menos o que você vai fazer com ele assim e assado.

Não sei nada de você nem você de mim. Não sei até que ponto posso confiar num cara que acabei de conhecer. Muitas mulheres podem se sentir julgadas, quando rola sexo na primeira vez. Ou não, talvez ela se divirta com a brincadeira tanto quanto você. Mas seja sincero: você está preparado para lidar com seu próprio machismo? Está preparado para entender que não, essa garota não é uma vadia e está simplesmente brincando de ser uma?

Então, devagar com o andor, tem muita mocinha de barro e que quebra. Na terceira saída com um pretendente novo, fomos ao cinema. Era o dia mais frio do ano e eu já tinha decidido que estava na hora de dormir de conchinha. Beijo vai, beijo vem, o cara solta a pérola: vamos trepar? Broxei. Pode ser que tenha se abatido uma caretice profunda sobre mim naquele momento, mas acho que é o tipo de coisa que se fala com alguma intimidade, e eu não tinha nenhuma com ele. Umas amigas acharam bobagem, outras me deram razão. Entende quando eu falo que não dá para saber como as mulheres vão reagir?

Só mais uma coisa. Depois da brincadeira, depois do banho, quando as luzes se acendem e a gente fica mais sem graça de roupa do que quando estava pelado, só pense em mandar mensagem chamando disso ou daquilo se já souber até o CPF da moça. Uma amiga pegou um bode enorme de uma cara que só a chamava de safada em qualquer situação, inclusive uma vez em frente aos amigos dela. Ela não pensou duas vezes: mando o cara comer a mãe. E acabou-se a brincadeira.

Sobre mariliz pereira jorge

Sou jornalista, moro no Rio, mas vivo com um pé – e metade do coração – em São Paulo, onde morei até maio de 2012. Adoro o cheiro do aeroporto, de andar em calçadas desconhecidas, de ouvir línguas que não entendo! De dançar até as pernas cansarem e de dar risada até a barriga doer… Não vivo sem Coltrane, cerveja gelada e sorvete no inverno. Adoro gente. Adoro tentar entender as loucuras da alma. Da minha e dos outros. E gosto de transformar isso em palavras, em frases e histórias. Hoje, sou colunista da Folha de S.Paulo, da revista GQ, roteirista de TV e dona do meu nariz. Todo conteúdo publicado no blog é de minha autoria. Fui editora da Folha de S.Paulo, da TV Globo, das revistas Women’s Health e Men’s Health, repórter de Veja, além de ter contribuído para veículos como O Estado de S.Paulo, revistas Nova, VIP, Viva Saúde entre outros. Dei minhas voltinhas no mundo da publicidade, produzindo conteúdo para Brastemp, Consul e Itaú.
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Uma resposta para Por falar em sacanagem…

  1. Karina B. disse:

    hoje eu vim ler uma porção de coisas por aqui e gostei desse.
    Tem sim de tomar muito cuidado com o que se fala na hora H.

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