Tudo o que você queria saber sobre masturbação feminina

Para GQ

Nós nos masturbamos muito mais do que você pensa – e isso é uma ótima notícia
GQ setembro
Perguntei a um grupo de amigas se todas se masturbam. Somos aparentemente bem resolvidas, falamos de sexo sempre. Por baixo, por cima, por trás, tamanho do pau, sexo anal. Nunca vi nenhuma tão sem graça como nesse dia.

Natural. Muitas mulheres acima de 30 anos cresceram sem falar de sexo com ninguém. Eu não falava com a minha mãe, com a minha melhor amiga e nem a revista para adolescentes falava comigo sobre o assunto. Até bem tarde na vida, eu arriscava me esfregar no travesseiro, talvez brincar com o chuveirinho, mas só colocava a mão lá, naquele lugar, que a gente nem tinha coragem de falar o nome, na hora do banho, e bem rápido, só pra lavar mesmo. Medo católico. Vai que alguém está vendo.

Demorei a descobrir que ninguém está. E não parei mais de me masturbar. Mas também não contava para ninguém. Parece mais fácil falar o que fazem com a gente do que fazemos com nosso próprio corpo. Então, tive uma espécie de adolescência sexual tardia. Comecei a transar perto dos 20 anos, mas só quando estava mais para os 30 do que para os 20 é que me rendi à masturbação.

E me masturbava todos os dias, mais de uma vez por dia. Durante um tempo, acho que gostava mais disso do que de sexo. Estava me conhecendo. A cada dia ficava fascinada com o prazer que nem eu mesmo sabia que existia. Ganhei eu e os homens com quem eu me relacionei depois dessa fase. Eu sabia mais de mim, do meu corpo, dos orgasmos que poderia ter.

Penso no trabalho que eu dava aos namorados que vieram antes dessas descobertas. Os coitados deviam penar muito para me fazer gozar. Se nem eu sabia o que era bom para mim, pobre deles.
Nunca tive uma pilha de revistas com homens pelados, no banheiro. Não funciona. A gente se sente atraída por um corpo bonito, assim como vocês. Mas só vale se for ao vivo e a cores. Dificilmente você dará de cara com a foto do tanquinho do David Beckham no desktop da sua mulher.

Talvez seja por isso que filmes de sexo explícito não façam tanto sucesso entre nós. Mas tudo que tem uma boa história pode ajudar, mesmo que seja só escrito, sem foto nem áudio. Isso explica o sucesso de 50 Tons de Cinza – que eu considero bem água com açúcar, mas que foi uma revolução entre as iniciantes no gênero sacanagem. A internet está recheada de contos muito mais apimentados para quem tem um nível avançado na safadeza. É claro que cada mulher descobre seu caminho.

O que muitas têm cada vez mais em comum é a coleção de sex toys. De vários tipos, em formato de pênis, de abelhinha e do famoso rabbit. Alguns homens não estão preparados para saber e muito menos para ver, alguns não tolerariam. É o medo infundado de que um objeto inanimado possa tomar o lugar do parceiro. Bobagem, nada substitui o talento.

O primeiro brinquedo que eu tive ganhei de um namorado. Ficaríamos meses sem nos ver e ele, malandro, me deu um vibrador. E depois outro. Peguei gosto pela coisa e desde então não vivo mais sem eles.

Mas não pense que são rotina. Muitas vezes é no cinco contra um. Pode ser na cama, sentada na privada, embaixo do chuveiro, nos lugares mais improváveis. Certa vez, me peguei numa conversa online pra lá de erotizada com um cara e quando me dei conta estava me masturbando. Depois disso voltei ao trabalho e posso dizer que o rendimento profissional foi bem melhor aquele dia. Vocês sabem o que eu quero dizer, não é mesmo?

Sobre mariliz pereira jorge

Sou jornalista, moro no Rio, mas vivo com um pé – e metade do coração – em São Paulo, onde morei até maio de 2012. Adoro o cheiro do aeroporto, de andar em calçadas desconhecidas, de ouvir línguas que não entendo! De dançar até as pernas cansarem e de dar risada até a barriga doer… Não vivo sem Coltrane, cerveja gelada e sorvete no inverno. Adoro gente. Adoro tentar entender as loucuras da alma. Da minha e dos outros. E gosto de transformar isso em palavras, em frases e histórias. Hoje, sou colunista da Folha de S.Paulo, da revista GQ, roteirista de TV e dona do meu nariz. Todo conteúdo publicado no blog é de minha autoria. Fui editora da Folha de S.Paulo, da TV Globo, das revistas Women’s Health e Men’s Health, repórter de Veja, além de ter contribuído para veículos como O Estado de S.Paulo, revistas Nova, VIP, Viva Saúde entre outros. Dei minhas voltinhas no mundo da publicidade, produzindo conteúdo para Brastemp, Consul e Itaú.
Esse post foi publicado em Sem categoria e marcado , , , . Guardar link permanente.

Uma resposta para Tudo o que você queria saber sobre masturbação feminina

  1. gabrielcouto disse:

    Verdadeiro e excitante. Você é boa nisso! 😉

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

w

Conectando a %s