O melhor de um jogo da Copa não é o futebol

TORCIDA BELGA

Mais do que ver o Brasil ganhar, o que eu queria nesta Copa era me divertir. E não era só eu. Fui ao Maracanã duas vezes. Não me perguntem os resultados, porque dos jogos lembro muito pouco. Mas não me esqueço de detalhes da festa na arquibancada.

Na primeira vez, pedi à gringa sentada ao meu lado para pintar meu rosto com as cores da Bélgica. Ela agradeceu, emocionada, a minha torcida. E agradeceu com uma cerveja. Eu me emocionei. Meus bisavós são russos, mas a torcida de lá estava xoxa, virei belga desde criancinha.

Aha, uhu, o Maraca é nosso. O estádio grita. Uns moleques de oito anos gritam. Me sinto meio ridícula, mas grito também.

Esqueço o jogo, minha preocupação é não perder o timing da ‘ola’. Eu no estádio esperando a ‘ola’, obrigando meu marido a fazer também. Ele olha, ri. Deve me achar uma louca. Eu estava. Louca de felicidade.

Lá pelas tantas, os russos acordaram e começaram a entoar algo que eu e todos os brasileiros em volta entendemos como ‘brasília, brasília’. Alguém diz que é o nome de um jogador. Achei por bem garantir a amizade – e a cerveja gelada – com os vizinhos belgas.

Fim do primeiro tempo.

Uma russa, feliz, dança a música tema da Copa, aquela que ninguém gostou. Danço também e, desde então, me pego cantando Ole ole ole ola até no intervalo do Jornal Nacional.

O jogo recomeça.

Olho pra minha camiseta verde e amarela basiquinha. Não perdemos de lavada apenas em campo. Baixou Joãosinho Trinta pra todo canto e o que se viu foi o maior e melhor carnaval fora de época. Dá um certo recalque imaginar que tem gente muito, mas muito mais criativa e irreverente do que nós, mas um alívio saber que vivemos num mundo bem bão.

Vergonha, vergonha, time sem vergonha. Parece que o jogo não está agradando. Não tenho certeza, mas grito junto, antes de me concentrar na ola que vem chegando de novo.

Não lembro muito dos jogos, mas não me esqueço da bagunça e de que cheguei em casa sem voz. Não de torcer por este ou aquele lado, mas de celebrar com todo mundo, o que é muito melhor do que qualquer jogo de futebol.

Publicado no caderno Folha na Copa 2014, da Folha de S.Paulo

Sobre mariliz pereira jorge

Sou jornalista, moro no Rio, mas vivo com um pé – e metade do coração – em São Paulo, onde morei até maio de 2012. Adoro o cheiro do aeroporto, de andar em calçadas desconhecidas, de ouvir línguas que não entendo! De dançar até as pernas cansarem e de dar risada até a barriga doer… Não vivo sem Coltrane, cerveja gelada e sorvete no inverno. Adoro gente. Adoro tentar entender as loucuras da alma. Da minha e dos outros. E gosto de transformar isso em palavras, em frases e histórias. Hoje, sou colunista da Folha de S.Paulo, da revista GQ, roteirista de TV e dona do meu nariz. Todo conteúdo publicado no blog é de minha autoria. Fui editora da Folha de S.Paulo, da TV Globo, das revistas Women’s Health e Men’s Health, repórter de Veja, além de ter contribuído para veículos como O Estado de S.Paulo, revistas Nova, VIP, Viva Saúde entre outros. Dei minhas voltinhas no mundo da publicidade, produzindo conteúdo para Brastemp, Consul e Itaú.
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