Não, não está faltando homem

homem
Eu nunca engrossei o coro da mulherada que adora dizer: não tem homem no mercado; os caras não querem nada; são todos iguais. É a melhor desculpa que qualquer uma pode dar para justificar o fato de estar sozinha. Com exceção daquelas que preferem não ter ninguém – e o mundo está cada vez mais cheio delas.

É assim desde que a gente tinha uma vida analógica, onde a forma natural de conhecer alguém era cara a cara, e as únicas maneiras de ser encontrada eram pelo telefone de casa ou por carta.

Troquei dezenas, senão centenas de correspondências com os garotos que conheci nas férias de verão, nos campeonatos de basquete ou de natação. A gente escrevia cartas, mandava fotos, fazia juras de amor, tudo com o carimbo do correio. Encontrava uma vez ou outra, não passava disso, mas deixava a autoestima tinindo e a nossa carência muito bem entretida.

Também já briguei muito com meu irmão por monopolizar o telefone de casa. Desliga essa merda, ele gritava na extensão. Eu morria de vergonha. Amarguei muito castigo e fiquei sem mesada por causa da conta.

Todo mundo dava um jeito, mas não faltava homem.

Então, eu fico surpresa quando ouço qualquer mulher vir com um chororô de que está difícil, que eu tive sorte. Talvez eu tenha tido mesmo. Mas para achar a pessoa certa, já me estropiei com um bocado de caras errados. Também me diverti horrores com uma lista interminável daqueles que só servem pra isso: diversão. E sei de uns dois que devem ter feito bonequinho de vodu com o meu nome porque eu não fui lá muito legal com eles.

Nunca faltou. Nunca tive medo que faltasse. Nem com 20, nem com 30, nem com 40. Mas nunca fiquei sentada, esperando.

Para ler mais, clique:
Não, não está faltando homem

Sobre mariliz pereira jorge

Sou jornalista, moro no Rio, mas vivo com um pé – e metade do coração – em São Paulo, onde morei até maio de 2012. Adoro o cheiro do aeroporto, de andar em calçadas desconhecidas, de ouvir línguas que não entendo! De dançar até as pernas cansarem e de dar risada até a barriga doer… Não vivo sem Coltrane, cerveja gelada e sorvete no inverno. Adoro gente. Adoro tentar entender as loucuras da alma. Da minha e dos outros. E gosto de transformar isso em palavras, em frases e histórias. Hoje, sou colunista da Folha de S.Paulo, da revista GQ, roteirista de TV e dona do meu nariz. Todo conteúdo publicado no blog é de minha autoria. Fui editora da Folha de S.Paulo, da TV Globo, das revistas Women’s Health e Men’s Health, repórter de Veja, além de ter contribuído para veículos como O Estado de S.Paulo, revistas Nova, VIP, Viva Saúde entre outros. Dei minhas voltinhas no mundo da publicidade, produzindo conteúdo para Brastemp, Consul e Itaú.
Esse post foi publicado em Coisas do coração e marcado , , , , , , , . Guardar link permanente.

4 respostas para Não, não está faltando homem

  1. Juliana disse:

    Olha, que texto! Concordei em tudo! Parabéns!

  2. Patricia disse:

    Mariliz, eu adorei esse seu post!
    eu confesso que não a conhecia.. por acaso li sua colun hoj ena folha e me encantei com tanta sinceridade e verdade nas palavras.. gostei muito!
    e concordo que Isso é Viver, faz parte e vai que dá certo! adorei,

    Parabéns!!

  3. Juliane disse:

    Muito bom seu texto. Era tudo o que precisava ler no dia de hoje, pelo momento que estou passando….. Perfeito e parabéns

  4. Serena Luz disse:

    Verdade!!! Pois tenho meu fixo com 20 anos de relacionamento sadio e harmonioso, mas não resisto aos novinhos…kkkkkkkk e nunca falta novinho. Tenho 46 anos.

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s