Como (não) perder uma transa em 10 segundos

Imagine aquele momento do pôquer em que você já decidiu como será a jogada final. Tem quase certeza de que nada vai dar errado. É mais ou menos assim que funciona o cérebro de uma mulher quando ela decide que vai para a cama com você – ou para o carro, o banheiro do bar… A razão do “clique” na cabeça e no corpo dela tem diversos motivos. Pode ser que você tenha dito a coisa certa, que tenha feito a coisa certa. Ou que ela tenha resolvido que hoje é a noite. Ou você teve sorte de encontrar uma garota que saiu de casa com vontade de transar. Mas, sim, você pode colocar tudo a perder em questão de segundos se disser ou fizer coisa errada. Especialmente se não ler o que vem a seguir…

QUEM QUER COMER CRU… VAI EMBORA COM FOME
A jornalista carioca Adriana A., 35, estava em seu segundo encontro com um cara que havia conhecido por meio de amigos em comum. Saíram para jantar, e quando ele foi deixá-la em casa insistiu para subir, dizendo que precisava usar o banheiro. “Sabia que era mentira, que ele queria ficar comigo. Resolvi que ok, ele vai ao banheiro e depois a gente transa”, brinca. (Eu não disse que é a mulher que resolve quando e onde o sexo vai rolar?) Bem, se o amigo de Adriana não tivesse sido tão afobado, o relato que vai a seguir não teria acontecido dessa forma. “Ele saiu do banheiro, eu precisei fazer a mesma coisa e, quando saí de lá, o cara estava de cuecas deitado na minha cama. Não sabia se ria da cena ridícula ou se me irritava com a pretensão dele. Mandei embora e fiquei rindo sozinha”, diz Adriana. E fique claro que não é moralismo dela. “Transei com o meu agora marido na primeira noite que nos conhecemos, mas ele esperou a hora certa de fazer as coisas”, diz ela, que espera o primeiro filho do casal.

O QUE DEU ERRADO – É clichê, mas não conte com os ovos antes de ter acertado com a galinha. Além disso, você passa a imagem de um cara inseguro. “É o tipo que não consegue envolver a parceira e fazer coisa de forma natural. Então, ele cria situações para ver se ‘cola’. Não tem encanto, sedução, requinte ou educação”, diz a terapeuta sexual Carla Cecarello, cordenadora do Projeto Ambsex. Entendeu? A parte do xixi, pelo que me disseram as meninas entrevistadas, não é tão grave, mas pular o capítulo “você tira a minha roupa e eu a sua” não dá.

QUEM NÃO AJOELHA… VAI TER QUE REZAR SOZINHO
Você pode dizer que nós, mulheres, somos mimadas e egoístas, mas quando o assunto é sexo o melhor mesmo é você começar a brincadeira. Exemplo: mesma situação, terceiro encontro da chef de cozinha Marcella B., 38 anos, de São Paulo. Jantar delícia, vinho gostoso, amassos dentro do carro e ela convida o moço para subir. No sofá. Agarra daqui, agarra dali, mão naquilo, aquilo na mão. “Então, ele levanta do sofá, abaixa a calça, praticamente esfregando o pênis na minha cara, e fala: ‘chupa’”, conta Marcella. “Não foi legal. Sei que é um pensamento machista, mas seria mais natural que ele tomasse a iniciativa de fazer sexo oral em mim antes”, diz. E o que aconteceu, Marcella? “Mandei embora, broxei. Hoje dou risada, mas na hora achei péssimo.” As amigas de Marcella, que ouviam a história enquanto ela contava para a reportagem, concordaram que o cara era sem noção.

O QUE DEU ERRADO – “Tudo dentro da sexualidade tem uma velocidade, e a mulher é mais devagar mesmo. Se é a primeira vez, a mulher quer que o cara mostre que está preocupado em dar prazer a ela e em terem prazer juntos. Aquela atitude mostra o contrário, ele só está pensando nele”, diz o psiquiatra Carlos Eduardo Carrion, consultor da Men’s Health. Pior, a mulher se sente desvalorizada, tratada como prostituta. “Quando ele saiu, fiquei pensando se ele iria me perguntar quanto valia o serviço se eu tivesse feito o que ele me pediu”, diz a chef Marcella, dando risada. Amigo, falta conquista, sedução. Ou resolva seu problema de outra forma. Sozinho.

QUEM TUDO QUER… NADA TEM
Quando se trata da primeira vez com uma mulher, calma e paciência são a alma do negócio. O administrador de empresas Mauricio Costa, 33, do Rio de Janeiro, conheceu uma garota numa festa. Lá pelas tantas acabaram indo para a casa dela, que dividia o apê com uma amiga. “Mais bonita até do que a que estava comigo”, lembra ele. Os dois na cama, roupas no chão, maior animação, e ela diz: “Hoje eu sou sua, faço o que você quiser”. Mauricio conta o que respondeu: “Chama a sua amiga para transar com a gente!” É, ele diz que não entendeu por que ela ficou tão brava. “Nem por que me mandou embora na mesma hora.” A gente explica. Quando ela disse que era sua e faria tudo que você quisesse, estava se referindo a vocês dois. E só vocês dois…

O QUE DEU ERRADO – Por mais liberal que as mulheres sejam, a maioria quer ser única, mesmo que apenas naquele momento, mesmo que ela saiba que talvez você nem ligue no dia seguinte. “Quando ela diz que faz o que você quiser é para que a conexão de vocês dois aumente, de mais ninguém”, diz Carla Cecarello. “Esse tipo de atitude mostra que você está preocupado apenas com o seu prazer, tanto faz com quem, tanto faz se for com ela.” É claro que tem mulher que topa, ninguém está dizendo o contrário, mas será que não é melhor esperar uma segunda ou terceira vez? Ou, ainda, esperar que ela sugira isso?

QUEM QUER VIAJAR… PODE PERDER O BONDE
Drogas, meu amigo. O que você faz de sua vida é problema seu, mas na frente de uma pessoa que você mal conhece e com quem quer trocar fluídos, é dos dois. “Não rola”, diz a produtora Paula Lopes, de 28 anos (SP). Ela já tinha ficado algumas vezes com o cara e foram para a casa dele. “Beijo vai, beijo vem, e ele pergunta se eu quero dar um teco (cheirar cocaína). Não aceitei, mas ele fez na minha frente. Achei deprê, inventei uma história e fui embora. O maluco ainda ficou me olhando como se eu fosse idiota. Quem é mesmo um idiota?”, indaga Paula.

O QUE DEU ERRADO – Esse tipo de coisa é mais ou menos como sugerir que vocês façam sexo anal. Precisa de intimidade. Aqui tem dois problemas. O primeiro e mais óbvio é que ela pode ser totalmente contra as drogas, e isso soa como se você estivesse oferecendo steak tartare a uma vegetariana. O segundo é que a mulher vai se sentir em segundo plano. “Ela sabe que as sensações vão estar alteradas, que o sexo vai ser regido por outra coisa que não apenas o tesão, e todas querem a mesma coisa: que o prazer tenha a ver com ela”, diz Carla Cecarello.

QUEM VIVE DO PASSADO… SE ESTREPA NO PRESENTE
Olha a situação. Vocês namoraram por um longo tempo, transavam sem camisinha, mas o amor acabou e cada um foi cuidar da vida – e transar com outras pessoas. Inclusive com a sua ex. Então, se encontram pela vida e vão matar a saudade na cama. Não adianta querer que as coisas sejam como eram. “Eu e meu ex ainda tivemos algumas recaídas, mas a primeira vez não acabou bem”, conta Cristina Albuquerque, 30 anos, de Porto Alegre. “Estávamos na casa dele e ele solta essa: ‘Você está tomando anticoncepcional ou vamos ter que usar camisinha?’. Falei que seria com preservativo de qualquer forma, e ele ficou louco me perguntando se eu estava transando com alguém. Pode?”

O QUE DEU ERRADO – O sentimento de posse. “Não é só homem que age assim, mulher também, mas para o homem é difícil encarar que a ex tem vida sexual e não só com ele. A vida continua. Precisa recriar a intimidade, e, claro, usar camisinha. Ele não tem que ficar bravo em relação ao que ela faz com a vida dela se não está mais com ele”, diz o consultor da MH Carlos Eduardo Carrion. Simples: se você pode sair por aí, ela também, certo?

QUEM FALA O QUE QUER… OUVE O QUE NÃO QUER
Essa aconteceu comigo. Conheci um cara numa festa, mas só fui vê-lo novamente um mês depois. Jantarzinho, beijo na boca. Saí de férias, um mês de intervalo, e lá vamos nós para o cinema. Passamos o filme de mãos dadas, beijinhos, e ele vai me levar até o carro (estava de moto). Senta no banco do passageiro, beijo daqui, amasso dali, estava uma noite fria e eu pensei: “por que não deixar essa história ir adiante?”. Ele poderia ter dito tanta coisa… Poderia ter falado “vamos passar a noite juntos?”. Eu aguentaria até um “vamos dormir de conchinha”. Mas não, ele soltou um “vamos trepar?”. Minha resposta: “não, vou para casa sozinha”. Minhas amigas não viram exagero: tem coisas que só são ditas com intimidade, e não tínhamos nenhuma.

O QUE DEU ERRADO – Ele sacou, no dia seguinte pediu desculpas, disse que se empolgou, que estava muito a fim de ficar comigo. Acredito e, se estivesse muito a fim do cara, teria encarado uma outra vez, mas perdi o interesse. Resumo: se sentir que a garota estava amarradona e você também, ligue, mande flores, convide para jantar, seja carinhoso e não fale mais bobagem, ok? Pelo menos enquanto vocês não tiverem dormido de conchinha.

QUEM PASSA DA MEDIDA… DORME NO PONTO… E SOZINHO
E nem precisa ser da primeira vez. “Sexo no final de semana era raro. Bem, eu me recusava a transar com um namorado bêbado e com uma ereção mais ou menos”, diz a analista de sistemas Fernanda Lima, 34 anos, de São Paulo. Ela diz que era sempre a mesma coisa: o ex manguaçava e vinha cheio de amor para dar, mas ele mesmo não dava conta do recado. “Pior, queria que eu resolvesse o problema”, diz. Como assim, Fernanda? “Queria que eu fizesse sexo oral naquele pinto mais ou menos”, diz a analista, morrendo de rir. Alguém vai dizer que ela está errada?

O QUE DEU ERRADO – Meu amigo, as mulheres preferem ficar seis meses sem comprar uma roupa nova a ter de encarar seu amigão quando ele está em posição de semidescanso. Simplesmente não dá. “Não dá mesmo. O homem não pode pensar que o seu desejo de transar está em primeiro lugar, e a mulher tem toda razão em se recusar numa situação dessa”, diz Carlos Eduardo Carrion. “Não tem troca, tem apenas uma pessoa satisfazendo sua vontade e a outra fazendo por obrigação.”

Sobre mariliz pereira jorge

Sou jornalista, moro no Rio, mas vivo com um pé – e metade do coração – em São Paulo, onde morei até maio de 2012. Adoro o cheiro do aeroporto, de andar em calçadas desconhecidas, de ouvir línguas que não entendo! De dançar até as pernas cansarem e de dar risada até a barriga doer… Não vivo sem Coltrane, cerveja gelada e sorvete no inverno. Adoro gente. Adoro tentar entender as loucuras da alma. Da minha e dos outros. E gosto de transformar isso em palavras, em frases e histórias. Hoje, sou colunista da Folha de S.Paulo, da revista GQ, roteirista de TV e dona do meu nariz. Todo conteúdo publicado no blog é de minha autoria. Fui editora da Folha de S.Paulo, da TV Globo, das revistas Women’s Health e Men’s Health, repórter de Veja, além de ter contribuído para veículos como O Estado de S.Paulo, revistas Nova, VIP, Viva Saúde entre outros. Dei minhas voltinhas no mundo da publicidade, produzindo conteúdo para Brastemp, Consul e Itaú.
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Uma resposta para Como (não) perder uma transa em 10 segundos

  1. Continuas escrevendo e trabalhando muito bem. Mais uma vez, parabéns! Carrion

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