Você é um sem-noção?

Falta de etiqueta, ego inflado, piada sem graça, brincadeira agressiva… Você pode estar pisando na bola sem perceber. Leia o (mau) exemplo destes caras e, se você age igual, acorde! E se você é mulher, mande o cara plantar batata.

Você já deve ter se deparado por aí com uma loura burra – que pode ser morena, ruiva, negra etc. Aquela garota desprovida de personalidade, que quando abre a boca você se pergunta se ela está de brincadeira. Bem, vou contar uma coisa. Nós, mulheres, temos que lidar todos os dias com caras que ou têm QI abaixo da média ou são sem-noção mesmo. E o pior são esses últimos. Sempre me pergunto se eles subestimam nossa inteligência, se é falta de educação ou de consideração. Aprendi que é pior que isso… Veja o erro dos outros para não queimar o filme com uma mulher que poderia curtir você.

Na balada

A gerente de recursos humanos, Marina D., 28, não acredita até hoje na… bem, na falta de noção do sujeito. “Numa baladinha, enquanto eu dançava, ele ficou me secando mesmo, na “caruda”, até que veio conversar. Até aí tudo ok, ele era interessante e bem gatinho, mas aí soltou a pérola: ‘Olha, a gente vai ter que parar de conversar, pois eu não estou conseguindo segurar a vontade de te beijar, mas eu não posso. A irmã da minha esposa está aqui’. E ainda era recém-casado. Merece ou não o título de sem-noção?”, brinca Marina.

“Merece o título de cafajeste”, diz a terapeuta sexual Jussania Oliveira, consultora da Men’s Health. “É a atitude de um homem que continua se vendo solteiro. Não tem compromisso com mulher nenhuma, trata todas como objeto. Não respeita nem a própria, por que teria respeito com as outras?”, analisa Jussania. E não é só isso. Revela também um cara que provavelmente é cheio de insatisfações em outras áreas da vida, porque não se compromete ou não se satisfaz com nada. Bem, praticamente um mané. Não é você, certo?

Na balada II

Eu e o Luciano saímos algumas vezes e discutimos por um motivo bobo. Nem uma semana depois, ele me chama para uma balada. É verdade que o convite era coletivo. Mas, ok, eu disse que iria com duas amigas. Estou lá me divertindo quando ele chega. Chega acompanhado por outra garota. Como se não bastasse, me apresenta para os amigos. Mais: me manda um e-mail na segunda perguntando onde eu tinha me escondido. É mole?

Não, não é, segundo Carla Cecarello, sexóloga do Projeto Ambsex (Ambulatório de Sexualidade), de São Paulo. “Mesmo que ele tenha mudado de ideia e resolvido virar amigo, precisava ter deixado claro. Isso tem cheiro de vingança e os homens fazem dessas. Mulher dá chilique, homem dá o troco”, diz Carla. “O provável é que ele tenha se arrependido até o último fio de cabelo de ter dado essa bola fora. Por isso, a procurou como se nada tivesse acontecido.” Mas e se ela resolve dar um chilique e partir para o corpo a corpo? “Ah, seria a glória para um homem assim, que ainda poderia mostrar aos amigos que tem mulher atrás dele”, diz o psiquiatra Carlos Carrion, da Associação Brasileira de Estudos sobre a Impotência.

Na conquista

“Conheci o Daniel há uns dois anos e nunca tivemos um relacionamento sério, mas nos víamos de vez em quando”, conta Rafaela B., 31 anos, advogada. “Um dia nos encontramos no elevador. Ele me chamou para conversar, perguntou se eu estava saindo com alguém, disse que tinha certeza de que queria namorar comigo, que eu reunia tudo o que ele buscava numa mulher. Depois de ele muito insistir, eu embarquei na onda. No dia seguinte, saímos para jantar e o cara tinha mudado de ideia! Disse que tínhamos tudo para casar, mas ele não conseguia imaginar o filho dele fazendo o sinal da cruz. Tinha outro credo e seguia à risca as regras. O detalhe é que, só depois de me pedir oficialmente em namoro, ele lembrou que eu não era da religião dele!”

Para Carla Cecarello, esse não só é o caso de um homem que não sabe o que quer como também de alguém que só se preocupa com seu próprio nariz. “Não dá para sair mudando de ideia em relação a assuntos sérios, que envolvem casamento, religião, de um dia para outro. As pessoas não podem se preocupar apenas com seus próprios conflitos e se esquecer quando outras pessoas estão envolvidas.”

No relacionamento

“Eu namorava o Felipe há uns cinco meses quando fomos para Buenos Aires. Estava tudo bem entre a gente. Bem, eu pensava que estava. O dia estava sendo ótimo, passeamos pela cidade, fizemos compras e resolvemos almoçar”, diz Fabiana Loures, 32, analista de sistemas. “Tudo estava normal, até que eu fui dar um beijo nele, que me olha e diz: ‘Não estou na vibe de beijar’. Achei que era uma brincadeira, mas não era e no resto da viagem eu percebi que ele era no mínimo egoísta. O namoro acabou obviamente.”

Amigo, pelo amor de deus! A única justificativa para uma bobagem dessas é estar com o hálito de aliche adormecido. Mas os terapeutas têm outras explicações. “Isso pode revelar uma dificuldade de se relacionar. Ou pior, um prazer sórdido de maltratar o outro, que é mais comum do que se pode imaginar”, diz Jussania Oliveira. “Seja o que for, você tem todo o direito de mandar esse cara plantar batatas. Ninguém merece ouvir uma bobagem dessas.”

Na hora H

Esta um amigo me contou. E achando que tinha razão. Por razões óbvias, não falarei o nome dele e vou chamá-lo de João. Ele estava em casa, na cama, sem roupa, com uma garota, em vias de consumar o ato. Mas a moça muda de ideia e recua. João se senta na cama calmamente e solta a pérola: “Vou tomar um banho para sair dessa situação ridícula e quando voltar não quero te ver aqui”. Olha, João, tudo bem que você teve que ir para o chuveiro sem marcar o gol, mas numa partida dessas o adversário tem direito de desistir do jogo.

“Esse filme é velho”, brinca Carla Cecarello. “Mexeu com o lado macho dele, que não aceita ser rejeitado. E a forma mais fácil para ele lidar com a situação é ofender a garota e tratá-la como uma qualquer. Isso revela uma insegurança grande e, claro, falta de maturidade absurda. Não há muita alternativa diante de um cenário desses: o jeito é conversar, tentar entender o que aconteceu, mas respeitar a decisão da mulher.” É isso, amigo, se as pessoas desistem de casar em pleno altar, por que não mudariam de ideia na hora do rala e rola?

No dia seguinte

“Eu já tinha saído algumas vezes com o Roberto e sempre o achei divertido, gentil. Naquela vez, fomos para a cama, o sexo foi ótimo e eu acabei dormindo na casa dele”, conta a publicitária Erika B., 38 anos. No dia seguinte, acordaram atrasados e, enquanto ele se arrumava, ela disse que pegaria um táxi para casa. Ao que o moço, com voz convicta, diz: “Imagina, te deixo em casa. O que é uma ferida para um leproso?!” Erika toda vez que se lembra de Roberto, a quem já encontrou algumas vezes depois, pensa qual a pérola que o fofo vai soltar. “Eu gosto de sair com ele, mas as brincadeiras às vezes ultrapassam os limites da boa vontade, porque ele quer fazer graça com coisas que não são engraçadas, em momentos que deveriam ser qualquer coisa, menos engraçados.”

Você sabe, lugar de palhaço é no circo. Principalmente quando o assunto é amor e sexo. “Não dá para fazer piada depois de uma noite de amor. Fazer piada com quem não se tem intimidade é dar um tiro no pé: é difícil dosar a graça e o humor fica negro. Melhor deixar para a mesa de bar com os amigos”, aconselha a sexóloga Jussania Oliveira.

Bem, você agora conhece o sedutor sem-noção. Ou será que já viu esse cara no espelho antes? De qualquer forma, como você é o leitor mais inteligente do país, eu e minhas amigas agradecemos por você ter terminado esta reportagem…

Publicado na revista Men’s Health em maio de 2010

Sobre mariliz pereira jorge

Sou jornalista, moro no Rio, mas vivo com um pé – e metade do coração – em São Paulo, onde morei até maio de 2012. Adoro o cheiro do aeroporto, de andar em calçadas desconhecidas, de ouvir línguas que não entendo! De dançar até as pernas cansarem e de dar risada até a barriga doer… Não vivo sem Coltrane, cerveja gelada e sorvete no inverno. Adoro gente. Adoro tentar entender as loucuras da alma. Da minha e dos outros. E gosto de transformar isso em palavras, em frases e histórias. Hoje, sou colunista da Folha de S.Paulo, da revista GQ, roteirista de TV e dona do meu nariz. Todo conteúdo publicado no blog é de minha autoria. Fui editora da Folha de S.Paulo, da TV Globo, das revistas Women’s Health e Men’s Health, repórter de Veja, além de ter contribuído para veículos como O Estado de S.Paulo, revistas Nova, VIP, Viva Saúde entre outros. Dei minhas voltinhas no mundo da publicidade, produzindo conteúdo para Brastemp, Consul e Itaú.
Esse post foi publicado em Men's Health e marcado , , , , , . Guardar link permanente.

2 respostas para Você é um sem-noção?

  1. Stu disse:

    Li a descrição de uma matilha de narcisistas perversos… E o pior, absolutamente sem saber o que é ter noção, então…

  2. PFR disse:

    li o ntc, mais ah 1000 anos sao vcs que nos escolhem, a diferença eh que agora vcs tem liberde para falar o que vcs sempre fizeram, mais tinham medo de dizer, por medo de represalia por parte da sociedade machista, viva a liberdade de expressao, viva, viva, viva; viva a igualdade, agora a igualdede.

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

w

Conectando a %s