Pensando em juntar os trapos com o amor?

Para aumentar as chances de serem felizes embaixo do mesmo teto, cada um de vocês deveria saber por que estão lá. Um estudo feito pela socióloga Lynne Casper, da Universidade da Carolina do Sul, e Liana Sayer, da Universidade Estadual de Ohio, ambas nos EUA, identificou quatro tipos de casais. Algum deles lhe parece familiar? (E se vocês estão nessa, aqui algumas dicas para a coisa dar certo – ou não dar errado de cara.)

– Casamenteiros 46%
Estão apaixonados e planejam se casar
Potencial de duração: alto

– Por conveniência 29%
Moram juntos porque é mais fácil. Não têm certeza de que querem se casar. Na verdade, alguns têm certeza de que não querem
Potencial de duração: baixo para médio

– Test-drive 15%
Estão fazendo uma tentativa
Potencial de duração: baixo para médio

 – Descrentes 10%
Planejam o “felizes para sempre”, mas não gostam do casamento como instituição
Potencial de duração: alto

VIVENDO SOB O MESMO TETO

Você deve se lembrar de alguma tia rabugenta apontando um casal e dizer que “viviam em pecado”. Mas, se antes era uma situação improvisada e marginalizada, hoje é institucional. No Brasil, segundo o último censo, o número de casais não casados, que acordam juntos todas as manhãs, passou de 28,6% em 2000 para 36,4 no ano de 2010. Quando você está apaixonada, faz todo sentido – economiza dividindo as contas, o seu lado B está sempre perto antes de dormir e, melhor de tudo, você faz sexo sempre que quiser.

Mas as pessoas raramente falam quanto pode ser estressante morar junto. “É muito mais do que simplesmente dividir uma cama”, diz Marshall Miller, coautor de Unmarried to Each Other (Não casados um com o outro). “Tem a ver com coisas complicadas, como decidir sobre dinheiro, tarefas domésticas e tempo.” Para manter o amor borbulhando mesmo sob pressão extra, leve em consideração a realidade nua e crua de quando juntamos as escovas de dente.

1. Realidade – Não é garantia do “sim”

Morar junto pode parecer um precursor natural do casamento, mas não conte com o bolo antes de ter certeza de que o fubá é de qualidade. “De fato, apenas 45% dos casais que moram juntos se casam”, diz Susan Brown, socióloga da Universidade Estadual Bowling Green, em Ohio (EUA). A pesquisa mostra que viver junto antes de subir ao altar diminui o risco de um casamento infeliz. Uma teoria do porquê: “As pessoas que vivem juntas normalmente trocam alianças não porque são perfeitas uma para a outra, mas porque se sentem bastante envolvidas no relacionamento”, diz Paul Amato, sociólogo da Universidade Estadual da Pensilvânia (EUA).

Estratégia – Falem sobre o futuro
Se casamento é o que você quer, deixe transparente como cristal, mesmo se precisarem ter uma conversinha. Um estudo do Journal of Family Psychology descobriu que casais que ficam noivos ou selam o compromisso de alguma forma antes de montarem uma casa são mais felizes antes e depois do casamento do que aqueles que tomam a decisão depois de estarem sob o mesmo teto. “Tenham certeza de que os dois entendem as razões que cada um tem para morarem juntos”, diz a autora do estudo, Galena Kline, do Centro de Estudos sobre Família e Casamento da Universidade de Denver (EUA). Mesmo que vocês não saiam para comprar um diamante, tenham um prazo para que a relação se defina.

2. Realidade – Todos os “colegas da república” são irritantes
O fato de vocês dois serem loucos um pelo outro não garante que a convivência seja fácil. Ana B., 34 anos, advogada, diz que se sente frequentemente no limite desde que seu namorado se mudou para a casa dela, há um ano. Toda vez que ele cozinha, “parece que houve uma guerra na cozinha”, diz Ana. Ela fica irritada com a bagunça. Ele fica bravo porque acha que estava ajudando. E esse é apenas um exemplo. “Eu o quero vivendo comigo”, diz. “Mas ele me faz perder a paciência o tempo todo.”

Estratégia – Ajustem os ponteiros
Sim, ele é irritante. Mas sempre será irritante! Assim como a sua aparente boa ação de dividir o mesmo espaço 24 horas por dia, sete dias por semana. “Você precisa relevar as pequenas coisas que incomodam, mas que não são importantes”, diz Noelle Nelson, psicóloga e autora de The Power of Appreciation in Everyday Life. Sim, é fácil falar… Tente, então, a seguinte estratégia: sempre que ele estiver deixando-a louca, pare e pense em três coisas bacanas que ele tenha feito para você recentemente. Vai suavizar sua braveza o suficiente para não chicotear o rapaz.

3. Realidade – Não são mais só as suas vontades
Você quer fazer uma happy hour com uma colega. Ou se candidatar à vaga na filial da Austrália. Mas agora qualquer das suas decisões vai afetar a rotina, o estilo de vida e a conta bancária de outra pessoa. “Tudo começou a ter mais uma etapa”, diz William S., 36 anos, que mora com a namorada há oito. Qualquer compra na padaria precisa da lembrança do tipo de iogurte, do pão ou do sorvete de que ela mais gosta. “Levou um tempo para me ajustar e não pensar só em mim.”

Estratégia – Seja um bom lado B
Por mais cafona que pareça, morar junto significa formar um time e abrir mão da autonomia a que vocês estão acostumados. Antes de tomar decisões que possam afetá-lo, pergunte-se como você se sentiria se ele fizesse o mesmo. Então, vá em frente mesmo que isso faça você grunhir. “Se não agir assim, vocês não ficarão juntos – ou ficarão juntos e infelizes”, diz o psiquiatra John Jacobs, autor de All You Need Is Love and Other Lies About Marriage.

4. Realidade – Todo mundo tem dias de mau humor

Algumas vezes vamos para casa e despejamos toda a frustração de um dia de trabalho em nosso companheiro. Para a psicóloga Jackie Black, autora do livro Meeting Your Match, isso é puro egoísmo.

Estratégia – Fique longe das brigas
Botar para fora é ok, mas fazer o inferno na vida do outro, não. Se você já sabe que seu humor está péssimo e que ele poderá tomar uma invertida, avise. Diga que você precisa de apoio, e não de soluções. Ou que quer 30 minutos sozinha para assistir a Friends, tomar um banho quente ou simplesmente ficar quieta em um canto. Você contará os detalhes do dia quando tiver recuperado seu senso de humor.

5. Realidade – O sexo vai mudar

Segundo uma pesquisa da Durex (fabricante de camisinhas), pessoas que moram juntas, mas não são casadas, fazem sexo com mais frequência. O que é uma vantagem. A desvantagem? O sexo pode perder o fator “Uau!” Uma pesquisa da ABC News revelou que 58% dos casados ou que viveram juntos por menos de três anos disseram que a vida sexual era “muito excitante”, comparando com 29% dos casais que estão juntos por mais de dez anos.

Estratégia – Continue procurando por novos estímulos
Segundo o psiquiatra Carlos Eduardo Carrion de Oliveira, da Associação Brasileira de Estudos sobre a Impotência, o encontro de um casal é quase um gráfico em que duas linhas se cruzam. Numa delas temos a diminuição do prazer pelo fator surpresa menor. Na outra temos o aumento do prazer porque conhecemos melhor o corpo e os pontos de prazer do outro. A perda da novidade é inexorável, e a descoberta do outro requer criatividade e esforço. “Mas o que tem de gente preguiçosa não está no mapa… Por isso a ideia de que depois de anos de casamento o sexo fica monótono, o que só ocorre por causa dessa preguiça”, diz Carrion. Pense com prazer como é bom que ele saiba onde e como tocá-la. E não assuma que não há nada mais que vocês possam descobrir ou experimentar juntos.

6. Realidade – Espere o inesperado
Quando Melissa H., 36 anos, e seu namorado resolveram morar juntos, há três anos, decidiram economizar para comprar um apartamento. Ela cortou as compras de roupas, a manicure deixou de ser semanal e passou a ser quinzenal, escolheu um restaurante mais barato para almoçar durante a semana. Depois de alguns meses de economia dura, Luciano chega um dia com uma moto nova em casa. “Fiquei louca de raiva. Eu economizando cada centavo e ele se dá a esse luxo. Ameacei terminar; ele ficou chocado com a minha reação, disse que eu estava sendo egoísta. Mas no dia seguinte me pediu desculpa e devolveu a moto à loja.”

Estratégia – Mantenha o rumo
Nunca subestime o poder de uma relação sólida de trazer à tona outro lado da pessoa com quem você vive. Se o básico está lá – confiança, valores e boa comunicação, não desista quando passar por um mau momento (e você certamente passará). “Para manter o relacionamento o mais tranquilo possível, construa uma base forte de amigos e familiares que apoiem o casal”, diz a psicóloga Noelle Nelson. Em brigas maiores, às vezes, o tempo é o melhor remédio para dar a vocês dois a chance de entender os próprios sentimentos. Essa é uma das melhores coisas de morar junto – vocês podem ir para a cama bravos e acordarem felizes de verem um ao outro.

7. Realidade – Amor não resolve problemas financeiros
Vocês podem estar economizando um bocado no aluguel. Mas problemas com dinheiro são tão inevitáveis quanto uma privada entupida. De acordo com uma pesquisa da revista americana Money, 70% dos casais admitiram discutir por causa de dinheiro. “Eestá tão relacionado com poder e controle que raramente é um assunto que você vai querer discutir”, diz Deborah Knuckey, autora de Concious Spending for Couples.

Estratégia – Decida agora como vocês vão lidar com as finanças
Não espere até que as contas comecem a bater à sua porta. Algumas ideias: se um de vocês ganha mais, deve contribuir proporcionalmente. Muitos casais cuidam do dinheiro de uma forma bem tradicional: ele cuida dos investimentos; ela das contas e dos gastos diários. “Mas não há certo ou errado – as pessoas decidem isso diferentemente”, diz Deborah. Elaborem um plano e coloquem em ação: as discussões vão acontecer, mas cada um saberá qual é o seu papel.

8. Realidade – O seu amor não é perfeito
Se quer que ele a faça feliz, fale! Você pede a ele que não deixe rastros de que chegou em casa. E ele diz: “Claro, amor!” E na semana seguinte o caos continua. Sapatos na porta, meia ao lado do sofá, camisa na cadeira da sala, a carteira, o celular, o GPS… tudo espalhado por todos os cantos. O que fazer? “Leva cerca de três semanas para um novo hábito ser absorvido”, diz a psicóloga Noelle Nelson. Ele precisa reconstruir mentalmente seus hábitos, e isso é difícil.

Estratégia – Aceite as imperfeições
Toda vez que ele fizer algo melhor ou mais perto do que você pediu, mostre como fica feliz com o esforço dele. “Se ele fez parcialmente correto e você só reclamar do que ainda está errado, ele se sentirá derrotado”, diz Noelle. “Mas, se você elogiar pelos 90%, ele se sentirá motivado a fazer melhor na próxima vez.”

9. Realidade – O amor fica em segundo plano
Chegar atrasada à happy hour com as amigas pode parecer cool, mas não com o seu namorido. É o tipo de atitude que mostra desrespeito e passa uma mensagem errada. Você dá a entender que ele não é tão importante quanto sua aula de pilates ou seu trabalho. “É também uma forma de rejeição”, diz Noelle Nelson.

Estratégia – Estabeleça prioridades
“Avise que você está atrasada e vai demorar”, ela sugere. Coloque alarmes para avisá-la dos compromissos. Ou simplesmente pare de agendar um milhão de coisas para o mesmo dia. Elabore duas listas do que “precisa” fazer e do que “gostaria” de fazer. Sublinhe o que for urgente e descarte o restante para não deixar seu amor esperando.

10. Realidade – As críticas tomam o lugar dos elogios
É engraçado pegar no pé dele por causa do videogame. Mas será que ele acha divertido? “Quando a provocação ou a crítica vêm de uma mulher, os homens sentem como rejeição”, diz a terapeuta sexual Sylvia Faria Marzano, do Instituto Brasileiro de Sexologia e Medicina Interdisciplinar Psicossomática. Quando fazemos isso em relação a algo que ele preza, é como dizer “Eu não amo você do jeito que é”. E, mesmo que ele não reaja, pode ficar magoado – e se sentir atraído por pessoas que o aceitam como é. Não necessariamente outra mulher, mas ele pode começar a passar mais tempo com os amigos.

Estratégia – Pegue leve nas brincadeiras
Dita de uma forma carinhosa, uma provocação leve é algo que a maioria dos casais acha especial. Se você tem uma língua meio afiada, a sugestão é fazer um pacto de 48 horas sem provocações. É a sugestão da especialista em relacionamento Susan Page, autora de Why Talking Is Not Enough. Dessa forma será mais fácil perceber quanta maldade você anda destilando contra seu amor e começar a treinar mais o modo fofo de se comportar.

11. Realidade – O que é dele é dele, o que é seu é seu
Não há problemas em separar as camisetas velhas dele para ser usadas na hora de dormir. O que você não pode é assumir que o fato de dividir o teto lhe dá o direito de pegar as coisas dele sem pedir – ou vasculhar seu e-mail – porque é entrar num território espinhoso e perigoso.

Estratégia – Mantenham a individualidade
“Não há espaço para suposições em um relacionamento emocionalmente inteligente”, diz Jackie Black. “Apenas acordos bilaterais.” Se não ficou claro que ele não se importa de que você use o laptop, não use. Todos os casais deveriam conversar sobre as coisas que gostariam de manter privadas. “Se o seu marido pede que você não abra a fatura do cartão de crédito, não é um sinal de que ele está escondendo algo”, diz Jackie. Esse é o tipo de coisa que derrete o senso de autonomia em um relacionamento estável, que é essencial para uma relação de longa duração.

Publicado na revista Women’s Health em março de 2009

Sobre mariliz pereira jorge

Sou jornalista, moro no Rio, mas vivo com um pé – e metade do coração – em São Paulo, onde morei até maio de 2012. Adoro o cheiro do aeroporto, de andar em calçadas desconhecidas, de ouvir línguas que não entendo! De dançar até as pernas cansarem e de dar risada até a barriga doer… Não vivo sem Coltrane, cerveja gelada e sorvete no inverno. Adoro gente. Adoro tentar entender as loucuras da alma. Da minha e dos outros. E gosto de transformar isso em palavras, em frases e histórias. Hoje, sou colunista da Folha de S.Paulo, da revista GQ, roteirista de TV e dona do meu nariz. Todo conteúdo publicado no blog é de minha autoria. Fui editora da Folha de S.Paulo, da TV Globo, das revistas Women’s Health e Men’s Health, repórter de Veja, além de ter contribuído para veículos como O Estado de S.Paulo, revistas Nova, VIP, Viva Saúde entre outros. Dei minhas voltinhas no mundo da publicidade, produzindo conteúdo para Brastemp, Consul e Itaú.
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2 respostas para Pensando em juntar os trapos com o amor?

  1. Patricia Ribeiro disse:

    Hum….Li a matéria na hora certa. Estou seriamente pensando em juntar os trapos, mas depois que li vou reconsiderar por causa dos acertos financeiros. Muito legal, Mariliz! Obrigada.

    • mariliz pereira jorge disse:

      Patricia, que legal que vc gostou! Eu escrevi essa materia quando já estava morando junto. E eu percebi que não daria certo por alguns motivos bem ali debaixo do meu nariz. Boa sorte! Continue por perto. Saber o que vcs pensam é o mais importante para mim. beijos

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